Missão com os muçulmanos na Europa

 

 

Por Bert de Ruiter

 

Quando falarmos com os muçulmanos tanto como falamos deles, a Europa será diferente.

A presença do Islã na Europa não apenas é algo que afeta os políticos europeus ou a comunidade europeia em geral. É algo que também deve ser prioritário na agenda dos conselhos missionários e eclesiais. O que ocorre com a Europa e o Islã não é algo que a igreja possa ignorar.

 

Os muçulmanos vieram morar em nossos países, nossas cidades, nossos bairros e nossas ruas. Assim como enviamos nossos obreiros e nosso dinheiro aos países muçulmanos, também devemos investir tempo e energia nos muçulmanos que são nossos vizinhos. Mas o fato é que, na atualidade, apenas uma pequena minoria de igrejas e cristãos em toda a Europa tem uma relação significativa com as mesquitas e os muçulmanos de suas cidades e bairros. Sim, temos livros que falam sobre o Islã, temos debates e conferências sobre o futuro do Islã na Europa, mas isso não quer dizer que tenhamos conversas profundas e significativas com os muçulmanos que estão na Europa. Creio que quando falarmos com os muçulmanos tanto como falamos deles, a Europa será diferente.

 

Não nos podemos permitir ser espectadores enquanto a Europa e o Islã resolvem seu futuro juntos.

Tampouco deveríamos seguir a mentalidade dos europeus em geral. Noto que muitos cristãos se contagiaram com a islamofobia generalizada que está presente em muitos países europeus de hoje. Os eleitores cristãos têm participado do crescimento dos partidos políticos de extrema direita, que usam sua oposição ao Islã como reivindicação. Em lugar de sermos agentes de mudança e transformação em uma sociedade afastada de Deus, copiamos seus sentimentos, como a xenofobia, a islamofobia, o alarmismo e o nacionalismo. Creio que devemos arrepender-nos de tais atitudes e buscar, em vez disso, ser parte da sociedade e falar de (e com) os muçulmanos com atitudes baseadas em como Deus nos trata. Nosso pensamento, nossa atitude e nosso comportamento em relação ao Islã na Europa devem guiar-se pelo amor de Deus e por sua entrega, manifestada na cruz do Gólgota.

 

Sugiro que as igrejas e os cristãos em toda Europa respondam à presença muçulmana em nosso continente de maneira quádrupla:

 

a) Com um coração compassivo

 

Como seguidores dAquele do qual a Bíblia diz que foi “cheio de graça e de verdade”, deveríamos tratar os muçulmanos de maneira amável e amorosa. Isto significa que é possível que o Espírito Santo tenha que trabalhar em nós para que nossa atitude mude do temor para a graça. Em 1 Tessalonicenses 2:8 Paulo escreve: “assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida; por isso que vos tornastes muito amados de nós”. O curso “Sharing Lives” (“Compartilhando Vidas”), que eu próprio desenvolvi, é uma ferramenta que poderia ajudar nossas igrejas a mudarem sua atitude.

 

b) Com uma mente informada

 

É importante que evitemos fazer caricaturas dos muçulmanos entre nós. Precisamos saber quem são, de onde vêm, qual é seu compromisso religioso, quais são as pessoas chaves, quais são seus sonhos, aspirações, medos, preocupações, o que pensam de nós…

 

c) Mostrando interesse

 

Se temos um bom coração e estamos bem informados, nos daremos conta de que há muitas maneiras práticas que podem aproximar-nos dos muçulmanos. É possível que possamos trabalhar juntos para tratar problemas de nossa cidade ou bairro. Podemos defender juntos nossas posturas a respeito de questões sociais (aborto, consumo de drogas). Podemos encontrar outras áreas de interesse comum, que nos unam a nível humano.

 

d) Dando testemunho

 

Com certeza, ser testemunha das boas novas de Jesus Cristo é importante e necessário. Descobri que há muitas oportunidades para fazê-lo se realizarmos os três passos anteriores. Quando o fazemos, nos consideram com seriedade, não damos testemunho de uma fé abstrata e sim de uma fé em Cristo, que é visível e que a viram colocada em prática em nossa vida cotidiana.

 

CONCLUSÃO

 

Os muçulmanos têm vindo para ficar. Em vez de vê-los como uma ameaça, sugiro que a igreja os veja como uma oportunidade:

  • Oportunidade de aprender a mostrar amor e misericórdia a pessoas que não os merecem (tampouco nós os merecemos);

  • Oportunidade de ajudar os muçulmanos a entenderem o que é o cristianismo e a romper alguns dos estereótipos e preconceitos que têm em relação a nós;

  • Oportunidade de romper os muros de hostilidade que foram construídos durante séculos entre o cristianismo e o Islã;

  • Oportunidade de mostrar ao mundo muçulmano que há uma maneira melhor e mais bíblica de nos relacionarmos com os muçulmanos que a cruzada e a colonização, ou seja, o caminho da cruz, o caminho da graça e do amor incondicional;

  • Oportunidade de acolher aqueles muçulmanos que buscam a verdade que não encontraram no Islã;

  • Oportunidade de ser amigo de pessoas muçulmanas e compartilhar sua vida com eles e, neste contexto, também o Evangelho. A igreja pode formar o futuro do Islã na Europa se estivermos dispostos a refletir a verdade, a glória e a atitude de Deus na forma em que nos relacionamos com os muçulmanos que vivem entre nós.

Fonte: www.protestantedigital.com

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